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   Este é o "sítio" do Professor Sérgio Marchezi Chaves 


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Uma explicação necessária: o "mapa errado"

     Esse mapa mundi, não é muito utilizado até hoje. À primeira vista ele choca o observador, da a impressão de estar "errado". É por que estamos acostumados a encontrar diariamente o mapa-mundi "normal", centrado na Europa e com o hemisfério norte acima do sul. O mapa da página inicial, mostra essa mesma realidade tendo como centro a África, com o hemisfério sul acima do norte. Como o nosso planeta é esférico, sabemos que é possível representar a sua superfície tendo qualquer local como centro. Não há um centro correto na superfície terrestre, assim como não há o "em cima" e o "em baixo". O que há são opções, alternativas múltiplas onde a escolha de uma delas depende dos objetivos da representação. Sem dúvida que existe aí uma questão técnica, de projeções cartográficas: ao colocar uma realidade esférica em um plano, numa folha de papel, as distorções sempre ocorrem. Toda projeção tem méritos e seus defeitos: aquela mais antiga e usual, a cilíndrica de Mercator, do século XVI, representa melhor a zona intertropical mas deforma as grandes latitudes (basta ver o tamanho da Groelândia nesses mapas, por exemplo); a Peters, de 1952, volta-se basicamente para retratar dimensões das áreas, comprometendo todavia as formas, (basta ver o exagero no alongamento norte-sul do Brasil, nestes mapas, por exemplo).

     A questão essencial deste mapa, não é técnica e sim geopolítica: representar o mundo desta ou daquela forma é também um exercício de poder, de dominação (ou resistência) militar, econômica e cultural. Assim, o mapa tido como normal coloca a Europa no centro, e o norte acima do sul, porque foi criado pelos europeus num momento histórico em que eles conquistavam o mundo, ocidentalizavam as demais culturas, mundializavam o capitalismo num processo social onde o "centro" ou o "norte" dominava e submetia o "sul" ou a "periferia" (o "em baixo", portanto). O nosso mapa, onde o sul está "em cima" do norte, é uma representação do mundo pela ótica do Terceiro Mundo, onde se objetiva chamar atenção do público para o problema do subdesenvolvimento e da dependência num mundo dito globalizado. É um mapa apropriado para representar a questão das desigualdades internacionais e do "norte" versus o "sul" na perspectiva de denunciar a dominação que perpassa a realidade do subdesenvolvimento, e indica uma aspiração de inverter ou equacionar essa questão.

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